Alta responsabilidade, metas agressivas, decisões complexas e pressão constante fazem parte da rotina de muitos líderes. Entretanto, quando o estresse deixa de ser uma resposta pontual e passa a fazer parte do cotidiano, ele pode evoluir para um quadro de estresse ocupacional crônico, com impactos importantes sobre a saúde, o desempenho e a sustentabilidade da liderança.
Muito além da sensação de cansaço, esse processo pode comprometer funções cognitivas essenciais para o exercício da gestão, tais como:
• Redução da atenção e da concentração;
• Dificuldades de memória e aprendizagem;
• Lentificação do raciocínio;
• Prejuízo nas funções executivas;
• Maior impulsividade nas decisões;
• Irritabilidade e dificuldade de regulação emocional;
• Queda da produtividade e da capacidade estratégica.
Os efeitos não se restringem ao indivíduo. O estresse ocupacional crônico está associado ao aumento de erros, absenteísmo, presenteísmo, conflitos interpessoais, afastamentos por adoecimento e redução do desempenho organizacional.
Nesse contexto, a atualização da NR-1 reforça a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais como parte integrante do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso significa que fatores organizacionais capazes de gerar sofrimento psíquico — como sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, conflitos, baixa autonomia, assédio e pressão contínua — devem ser incorporados ao processo de gestão de riscos ocupacionais.
A neuropsicologia pode contribuir de forma estratégica nesse cenário, auxiliando na compreensão dos impactos do estresse sobre o funcionamento cognitivo, subsidiando avaliações complementares, programas de prevenção e ações voltadas à promoção da saúde mental no trabalho.
Cuidar da saúde mental deixou de ser apenas uma iniciativa de bem-estar. Cada vez mais, representa uma prática alinhada à gestão de riscos, à conformidade legal e à sustentabilidade das organizações.
Na sua percepção, sua organização já trata o estresse ocupacional como um risco psicossocial que deve ser gerenciado de forma estruturada, conforme as diretrizes da NR-1, ou ele ainda é visto apenas como parte natural da rotina de trabalho?
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